23 de outubro de 2010

duas bolas.

"Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só!!
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa!
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de "fácil").
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar !! E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em ‘acertar’, tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação…
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão…
Às vezes dá vontade de fazer tudo ‘errado’.
Deixar de lado a régua,o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'…
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do ‘Law and Order’, uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago..."

Danuza Leão.




porque não temos que nos contentar com nada pela metade!

12 de outubro de 2010

milágrimas.

"Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre".

Alice Ruiz



porque eu sinceramente acredito que a cada mil lágrimas, sai um milagre.

10 de abril de 2010

alinhando idéias.

desde ontem, mil idéias "borbulhando" na caixa mágica, mas sem molde de exteriorização, aliás até agora estou tentando alinhar as idéias e criar um post coeso para ver se consigo de fato, dar o pontapé inicial neste blog.

a que vos fala, tem idéias para posts em momentos de pleno silêncio e solidão e nem sempre próximos ao computador, ou a uma folha de papel e uma caneta.

ou quando fecho os olhos e agradeço pelo meu dia, ou quando estou andando, no caminho de casa para o trabalho ou do curso para casa, nesses momentos sinto que os sentimentos que guardo aqui entram em ebulição.

sou eu e só. ponto.
adoro o silêncio que a minha solidão necessária me traz, pois quando ele acontece os meus sentimentos falam, minha alma grita e é tão bom.

é tão bom "se ouvir", por assim dizer, pois é quando aprendemos mais, quando nos conhecemos mais, nos entendemos mais.

hoje já sei ficar só sem o gosto amargo da solidão.
encaro como liberdade.

hoje me peguei andando sozinha e com o vento batendo no rosto e pensando em mil coisas que havia esquecido.

coisas que digo ao outros quando deveria dizer a mim mesma.
coisas que ouço dos outros quando eu deveria ouvir.

por isso, hoje resolvi alinhar minhas idéias e aquecer as turbinas porque o vôo será alto!

p.s. ao revisar o "alinhando idéias", lembrei de - "realinhar as órbitas dos planetas" - segundo sol, nando reis, vou esperar o telefone tocar.